Painel Ribeira Negra de Júlio Resende ganha espaço permanente na Alfândega do Porto

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A Associação para o Museu dos Transportes e Comunicações (AMTC) transformou o que era um vulgar corredor num espaço expositivo

O painel Ribeira Negra, obra de Júlio Resende que deu origem ao mural em grés colocado à entrada nascente do portuense túnel da Ribeira, vai ter um espaço próprio na Alfândega do Porto que será inaugurado sábado, disse à Lusa fonte ligada à iniciativa. A obra, com 40 metros de comprimento e três de altura, ficará exposta definitivamente no corredor do primeiro andar daquele edifício, onde aliás já se encontrava patente, mas em condições que não eram as melhores e que mantinham o enorme quadro numa situação de quase clandestinidade.

A Associação para o Museu dos Transportes e Comunicações (AMTC) transformou o que era um vulgar corredor num espaço expositivo, centrando-se na iluminação e na instalação de uma estrutura em madeira que visa proteger o enorme painel. Este recebeu um caixilho metálico para travar a sua deterioração, de que já havia algumas manifestações. “Vai ser um espaço cultural novo que nós recuperámos”, disse ontem à Lusa o presidente da AMTC, entidade que está por trás desta iniciativa, juntamente com a Câmara do Porto, Galeria Cor Espontânea e Lugar do Desenho/Fundação Júlio Resende.

Carlos Brito recordou que tem uma velha ligação com a obra Ribeira Negra, pois foi como presidente em exercício da autarquia portuense (1985) que mandou fazer o mural cerâmico homónimo existente na Ribeira portuense, a pouca distância do tabuleiro inferior da Ponte de D. Luís.

A inauguração do novo espaço vai assinalar os 150 anos daquele edifício e os 93 anos do seu autor, feitos a 23 de Outubro.

Ribeira Negra, considerada uma das obras-primas de Júlio Resende, começou por ser um gigantesco painel que foi exposto pela primeira vez em 1984, no Mercado de Ferreira Bor- ges, no Porto. Sobre ela, o poeta Eugénio de Andrade escreveu ser um “magnificente historial da miséria e da grandeza da população ribeirinha do Porto”.

O artista ofereceu os originais à Câmara Municipal do Porto, que os teve guardados num armazém da Biblioteca Municipal Almeida Garrett e mais recentemente acordou com a AMTC a sua transferência para o edifício da ex-Alfândega.

A inauguração do novo espaço será ainda acompanhada da apresentação da serigrafia 150 anos do edifício da Alfândega do Porto, da autoria de Júlio Resende e oferecida pela galeria Cor Espontânea à instituição.

Em simultâneo com a inauguração do Espaço Ribeiro Negra – que “fica definitivamente a ser a casa desta obra”, segundo Carlos Brito – será igualmente inaugurada numa sala adjacente uma exposição com 12 obras recentes de Júlio Resende, organizada pela Cor Espontânea. Num texto sobre a exposição, o pintor afirma serem os trabalhos fruto da sua “intensa inquietação estética”.

Até meados de 2011, a AMTC deverá inaugurar também na Alfândega do Porto, na ala poente, um espaço para os “automóveis da Presidência da República”, segundo um projecto do arquitecto Souto Moura.

“A Alfândega é mais um centro cultural do que outra coisa qualquer”, sustentou Carlos Brito, lembrando que ali ocorrem regularmente exposições, como é o caso da que ali se encontra agora e se intitula O corpo humano como nunca o viu.

Pode aceder ao artigo original, publicado no site “Jornal Público”, em 03-11-2010, AQUI

 

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