E Julio Resende ficou ali, perto do rio…

Sim, é o painel de azulejos à saída da Ponte D. Luís….à entrada do túnel da Ribeira…bem nas entranhas do Porto. Sim, é de autoria de Júlio Resende, que faleceu hoje aos 93, em Gondomar.
E porque ficamos sempre mais pobres com a morte de artistas como este, fica aqui um texto sobre a obra mais notória que o pintor deixou à cidade – Ribeira Negra – pelo texto de Eugénio de Andrade.

«A gente a que o pintor sempre procurou dar corpo e alma, e que lhe sai ao caminho mal pega no lápis e no pincel, é aquela a que Fernão Lopes chamou arraia-miúda. Isto, que nunca passou despercebido àqueles que seguiram empenhados a sua obra, tornou-se pura evidência a todos quantos tinham olhos na cara a partir de Ribeira Negra, o magnificente historial da miséria e da grandeza da população ribeirinha do Porto, exposto pela primeira vez em 1984, no Mercado Ferreira Borges.Há uma brutalidade nesta pintura, digamo-lo sem qualquer hesitação; brutalidade que consiste em obrigar-nos sem trégua a pensar que o homem é o mais mortal dos animais, que o seu corpo não cessa de ser corroído pela lepra do tempo, que o esplendor da sua juventude se converte com facilidade na mais grotesca paródia de si próprio, que tudo nele está inexoravelmente votado à morte.»

 
Pode aceder ao artigo original, datado de 21-09-2011, publicado no blog “a Laranja cor de Rosa”, AQUI

 

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